Consciarte by Berlitz

Cultura, Consciência e Arte

ACONTECE QUE EU SOU BAIANO

Por Marcos Massolini

Especial para Fóton-Átomo

Lá se foi o Mestre Dorival Caymmi, armar sua rede em outras paragens. Aos 94 anos, faleceu por volta das 6 horas da manhã de hoje (sábado, 16 de agosto de 2008), em sua casa no Rio de Janeiro, cidade que adotou a partir de 1938.

Deixou pouco mais de cem composições e ao lado de seu conterrâneo e amigo Jorge Amado, a personificação definitiva do espírito cultural e humano de sua terra natal Bahia.

Dorival forjou um estilo único e sem seguidores e, mesmo quando expandiu sua verve praieira para o samba-canção carioca ou para o Carnaval, sempre imprimiu sua marca inconfundível. Não bastasse o dom para a composição, ainda foi agraciado por Deus com uma voz de baixo-cantante e tornou-se um exímio violinista, mesmo sem nunca ter estudado música.

A sua “O que é que a baiana tem?” entrou para a história quando abriu as portas para o estrelato de Carmen Miranda, nos EUA. E não foi a única obra sua que estava no momento e no lugar certo da história: “Rosa Morena”, “Doralice”, “Samba da minha Terra” e “Saudade da Bahia” marcaram presença no nascimento da Bossa Nova, incluídas no repertório irretocável de outro gênio baiano, João Gilberto, em seus primeiros LPs. E o que seria de Gabriela, em sua novela homônima na TV Globo, em 1975, sem o tema “Modinha para Gabriela”, feita de encomenda pelo mestre e um estouro na voz de Gal Costa?

Nada mal para quem sempre levou a fama de preguiçoso, pecha que jamais contestou. Mas o que não levavam em conta é que a sua famosa “lerdeza” nada mais era do que apuro, cuidado, perfeição. Tudo o que ele fez em vida, teve acabamento perfeito: canções, desenhos, quadros (a pintura quase o fez desistir da música), poesias. Até os filhos, saíram à contento: Dori, Danilo e Nana não só seguiram a profissão do pai, como herdaram sua busca pela perfeição – aliás, gravações da família Caymmi reunida são itens disputados à tapa por colecionadores estrangeiros.

Dorival Caymmi entra agora para o panteão dos gênios da música brasileira, ao lado de Tom Jobim, Pixinguinha, Heitor Villa-Lobos, Noel Rosa, Ari Barroso e poucos mais. Entra também para a eternidade, seja numa roda de praia entoando “Saudade de Itapoã”, um cantor na noite interpretando “Marina” ou uma mãe zelosa ninando seu filho com “Acalanto”: “Boi, boi, boi, boi da cara preta…”.

Em tempo: Dorival Caymmi completou 94 anos, em 30 de abril. Na Bahia, em razão do aniversário do compositor, foi inaugurado, em Itapoã, um busto em bronze feito pela artista plástica Márcia Magno. A exemplo da estátua do poetinha Vinícius de Moraes, instalada na praça que leva o nome dele, o busto de Caymmi decora a Praça Dorival Caymmi, no mesmo bairro.

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agosto 16, 2008 - Posted by | baiano, Caymmi, Dorival, música

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