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Cultura, Consciência e Arte

NOEL ROSA: 100 Anos de Samba na Vila

Noel Rosa 1

Este é o ano do centenário de Noel Rosa (11 dez. 1910 – 2010). A grandiosa festa do Carnaval brasileiro terá como um dos homenageados o poeta da Vila, pelas mãos, logicamente, da Unidos de Vila Isabel. O inspirado samba-enredo "NOEL, A Presença do Poeta da Vila", de Alex de Souza, Alex Varela e Martinho da Vila – mais uma vez honrando a camisa da escola -, tem tudo para ser vencedor do Carnaval Carioca.

A letra do samba-enredo retrata um pouco da vida (que foi curta, apenas 26 anos, quatro meses e vinte e três dias) e da obra (que foi grandiosa em todos os sentidos) de Noel. Como um cometa (ou asteróide), o poeta passou rápido pela Terra, mas deixou um legado musical brilhante.

Sinhô (José Barbosa da Silva, 1888 – 1930)(¹), Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos, 1890 – 1974), João da Baiana (João Machado Guedes, 1887 – 1974), Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho, 1897- 1973) e outros têm papel fundamental na construção da música popular brasileira. Noel Rosa talvez seja o alicerce da música e do samba brasileiros, traduzindo melodias, letras e poesias do passado para o mais contemporâneo de sua época, e depois, tendo profunda influência nas gerações futuras de sambistas e de outros compositores, músicos e interpretes pertencentes à diferentes gêneros musicais. Villa-Lobos (Heitor Villa-Lobos, 1887- 1959), Tom Jobim (Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, 1927 – 1994) e Chico Buarque são exemplos disso.

A passagem de Noel Rosa pela Vila Isabel, pela boemia e música já foi contada em detalhes riquíssimos por biógrafos excepcionais e cineastas consagrados. Dentre as biografias, duas são primordiais para saber e entender o poeta da Vila. "No Tempo de Noel Rosa", escrita pelo amigo e parceiro Almirante (Henrique Foreis Domingues- 1908-1980). E a essencial e sensacional "Noel Rosa: Uma Biografia" (1990), de João Máximo e Carlos Didier, lançada em comemoração ao 80º aniversário do poeta.

"Mesmo em guri, a minha grande fascinação era a música. Qualquer espécie de música. Fosse qual fosse. E amava os instrumentos musicais, sentindo-me sonhar ante qualquer melodia" (²).

Com Braguinha (violão e vocal), Henrique Brito (violão) e Almirante (pandeiro e vocal), Noel Rosa (violão) integrou um dos mais importantes grupos musicais da época (1929-1933), o "Bando dos Tangarás".

Em 1931, quando a medicina pensava que ia ganhar um doutor e a música corria o risco de perder um genial compositor, Noel recorre às duas (medicina e música) para criar a extraordinária "Coração" (ou samba anatômico):

"Coração, grande órgão propulsor,

Transformador do sangue venoso em arterial

Coração, não és sentimental,

Mas entretanto dizem que és o cofre da paixão (…)"

 

Noel foi grandioso em toda sua obra e, em particular, quando se trata de Carnaval. Participou da histórica gravação do choro de rua "Na Pavuna" (1929), de Almirante e Homero Dornellas (1901 – 1990). Esta música é a primeira gravação em estúdio em que foi utilizado instrumentos de percussão. Foi o grande sucesso no Carnaval de 1930.

O ‘abre-alas’ de Noel na música foi com "Com que roupa eu vou?", sucesso do Carnaval de 1931 – vídeo-áudio abaixo. Em 33, emplacou "Fita Amarela" e "Até amanhã". Em 1938, a grande marcha do carnaval daquele ano foi "Pastorinhas" (1938), com João de Barro, o Braguinha (Carlos Alberto Ferreira Braga – 1907 – 2006). Muito embora a letra fosse de outra composição de Noel: "Pastorinhas" é uma versão modificada de "Linda Pequena", composta em 1935 por Noel e Braguinha. (³)

Em 1936, coloca o bloco na rua com nove composições de sua autoria, entre elas "Pierrot Apaixonado", com Heitor dos Prazeres (1898-1966), que até hoje é cantada por muitos foliões em (alguns) bailes carnavalescos.

Qualquer que seja o critério de julgamento, Noel Rosa recebe 10 nos mais variados quesitos:

ANDAMENTO – HARMONIA – EVOLUÇÃO – ARGUMENTO – ROTEIRO – FANTASIA – COMISSÃO DE FRENTE – MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA – DANÇA – ALEGORIAS E ADEREÇOS – CONCEPÇÃO – IDENTIDADE – RESPEITO AO TEMA e: ORIGINALIDADE.

 

Ouça o samba-enredo da Unidos de Vila Isabel

 

Letra do samba-enredo "NOEL, A Presença do Poeta da Vila"

 

LIVROS:

Noel Rosa Uma Biografia - João Máximo e Carlos Didier

Noel Rosa: Uma Biografia (clique na imagem)

 

No Tempo de Noel Rosa (Almirante)

No Tempo de Almirante (Sérgio Cabral)

 

 

(1) História da música popular – Sinhô: "Rei do Samba". Dicionário MPB.

(2) "Noel Rosa: Uma Biografia" – João Máximo e Carlos Didier (1980, Ed. UnB).

(3) Songbook Noel Rosa, Almir Chediak (Lumiar Editora)

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fevereiro 8, 2010 - Posted by | Uncategorized | , , , , , ,

1 Comentário »

  1. olá adorei este site essa pesquisa sobre o grande NOEL ROSA amei fazer meu trabalho sobre ele só tenho 13 anos e já me apaixonei pela musica do ritmo {samba} nunca gostei de samba agora passei a gostar de se apaixonar vlw Noel

    Comentário por Lizanda | março 31, 2010 | Responder


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