Consciarte by Berlitz

Cultura, Consciência e Arte

Jeff Beck – Nessun Dorma

Há muito recebi um presente. Virou post: Chagall.

Tinha que retribuir.

De repente, recebi outro: a história da ópera Turandot e a ária de Giacomo Puccini e o link com o magnífico Pavarotti.

Tinha que retribuir. Mas dizer obrigado era pouco.

Então descobri que Jeff Beck iria lançar no mês de abril deste ano “Emotion & Commotion” (Rhino Records), o primeiro álbum de estúdio do guitarrista em sete anos. Nele, a interpretação de Nessun Dorma, da ópera Turandot! Daí nasceu este post, com os tópicos Nessun Dorma e Turandot e outras coisas mais.

Meus sinceros e profundos agradecimentos a quem tem e está sempre “De Caso com a Medicina e a Saúde”.

JEFF BACK Emotion & Commotion

Em 2010, Jeff Beck teve grandes conquistas: venceu o Grammy 2010 como melhor interprete de rock instrumental, com “A Day In The Life” (Lennon-McCartney) – se você não ouviu, procure, compre, ouça. Vale a pena -; tocou em fevereiro com Eric Clapton, numa turnê que reuniu os dois ex-integrantes do Yardbirds em shows por Londres, Nova Iorque, Toronto e Montreal, e ainda concedeu uma excelente entrevista para a revista Rollin Stone ao lado de Clapton, ambos agindo de forma cordial inimaginável. Não bastasse tudo isto, Beck ainda gravou em “Emotion & Commotion” a célebre ária de Giacomo Puccini Nessun Dorma (Turandot!).

É muito para um grande músico. Ou não. Mas vamos por partes:

A ária de Puccini é a última (e inacabada) obra do compositor italiano para a Ópera Turandot. Na biografia de Maria Callas (Maria Callas – A Mulher Atrás do Mito / Arianna S. Huffington), Nessun Dorma é descrita pela cantora lírica com uma das mais difíceis récitas e, que não por acaso, ‘arruinou’ sua voz várias vezes. Transferir a beleza de Nessun Dorma e o sentimento de Puccini são genialidades impensáveis, sobretudo quando isto é feito para guitarra. É pra poucos, pra quem sabe quê e como faz. Jeff Beck teve ousadia, coragem, conhecimento de causa e de música. Resultado: se deu bem de novo. Como nunca antes na história, 2010 tem sido generoso com Beck, e ele conosco, retribuindo generosamente com seu mágico talento.

Não é a toa que o ser humano tem um ganho muito maior quando a educação vem de berço. Quando a base é boa. O resto depende do aprimoramento de cada um. Caso contrário a estagnação é outra opção – ainda que o meio seja favorável. Isto é fácil de diagnosticar: ainda quando o berço é bom a probabilidade de alguns os músicos tornarem-se medíocres é grande. No caso de Beck, cresceu ouvindo a mãe tocar música clássica ao piano. O resultado foi a lapidação de um guitarrista que evoluiu através de sua obstinação, inteligência e perfeccionismo. Beck demonstra isto em “Emotion & Commotion”, “Nessun Dorma” e em outras nove músicas que compõem o álbum.

Sobre o Grammy – Em “A Day In The Life” fez um belo trabalho, sobretudo por recriar em cima de uma composição eternizada pelo Beatles. Também não é fácil fazer isso quando a referência e o consciente coletivo são atraídos pela memória mais antiga – se não me engano a neurociência explica isto -, ou seja, à que remete aos quatro garotos de Liverpool.

Também surpreende a nova ‘roupagem’ vestida por Beck na entrevista para a Rolling Stone, ao lado de Clapton. Ali me pareceu ser Beck por ele mesmo, como é e como sempre foi. Contrapõe as demais interpretações – pelo menos as minhas – sobre ele transcritas nas duas principais obras a respeito de Clapton: a biográfica "Crossroads: A Vida e a Música de Eric Clapton", de Michael Schumacher, e "Clapton: The Autobiography", de autoria do próprio músico. Em ambas, Beck parece ciumento, invejoso e competitivo. Um “Saliere a perseguir Mozart”. Nada disto: ambos têm profunda admiração pela obra do outro. Até então o que se observava eram contextos, objetivos e a obra de cada uma isoladamente, porém, em muito pincelada com as cores fortes de quem observava o quadro a quadro o trabalho de Clapton – neste caso, o autor Schummacher e ele mesmo. Na verdade, cada um tem seu estilo, seu trabalho. O que os une agora (e sempre) são obras gigantescas e as qualidades de dois virtuoses guitarras.

(*) A história da ária Nessun Dorma

NESSUN DORMA HISTÓRIA PARTE 1 NESSUN DORMA HISTÓRIA PARTE 2

 

 

JEFF BECK – “Emotion & Commotion” (Rhino Records)

1. Corpus Christi Carol

2. 2. Hammerhead

3. 3. Never Alone

4. 4. Over The Rainbow

5. 5. I Put A Spell On You Featuring Joss Stone

6. 6. Serene Featuring Olivia Safe

7. 7. Lilac Wine Featuring Imelda May

8. 8. Nessun Dorma

9. 9. There’s No Other Me Featuring Joss Stone

10. 10. Elegy for Dunkirk Featuring Olivia Safe

JEFF BECK – NESSUN DORMA

JEFF BECK – Site Oficial

JEFF BECK – My Space

JEFF BECK – “Emotion & Commotion” Amazon

JEFF BECK – “A Day In The Life”

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maio 8, 2010 - Posted by | Uncategorized | , , , , , , , ,

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