Consciarte by Berlitz

Cultura, Consciência e Arte

Música do Mundo

Reuni aqui algumas coisas significativas, e todas com o olhar para o que realmente vale a pena. Fora do contexto musical padrão.

Penso que o que anda por aí não só não me agrada como não agrada a muita gente. As pessoas andam cansadas da mesma batida, da ditadura imposta pelo mercado, pela mídia e gravadoras tradicionais. Aos poucos, muitos abriram os olhos e ouvidos para a arte que existe não apenas em um mercado restrito, e como já disse, imposto de cima pra baixo.

A música pelo olhar honesto dos músicos. A sensibilidade fazendo a verdadeira arte – e isto não é só na música, claro, é também no teatro, na pintura, na literatura, enfim, de todas as formas onde a verdadeira arte se expressa. 

Com o tempo, aprende-se que para aprender música – e a arte como um todo – é preciso saber ver além da mesmice e obviedade que o cotidiano, e o mercado, insistem em apresentar. Claro, existem obras magníficas vindas pelas mãos das gravadoras, sim. Não desqualifico o trabalho, muitas vezes, árduo. Embora o mais fácil tenha sido até agora ganhar muito em cima de obra pouca. Por isto, há de se diversificar, talvez ganhando menos, mas garantindo o enriquecimento humano.

O abandono da educação, a falta de interação presencial (hoje, também se faz necessária a interação online), e de tantas coisas necessárias ao engrandecimento do Ser Humano, acabam por resvalar na mediocridade.

Nos últimos tempos, percebi que muitos corroboram também, num processo contra a mesmice, com o pensamento da aprendizagem pela observação de tudo o que existe. Pra citar alguns bons exemplos, li, diversas vezes, o Maestro Billy (no twitter @maestrobilly) aconselhar novos DJ´s a ouvirem todo tipo de música. Sim, se você quer ser músico, aprender alguma coisa, fazer algo em prol e relacionado à música, tem que ouvir de tudo. Ouça, não apenas coloque as orelhas para escutar. Saiba que há diferença nisto!

Minha amiga e queridíssima Cristina Almeida (no twitter @Chrisalmeyda) é outra que entende assim. Sabe da importância da multi-cultura, e em todas as artes. Aprendi um pouco sobre ópera com ela. É um dos exemplos de como as pessoas procuram sair do convencional, do trivial, da mesmice. Com certeza, não está só. Aliás, só estão os surdos que perpetuam a chatice de um ritmo só.

Há muitos anos assisti a um show – com mais de 4 horas de duração – com músicos de todo o canto do mundo. Incluindo o belíssimo Mawaca. Sons, instrumentos, músicos e vozes que saem do padrão comercial, a música do mundo traz a cultura dos povos, suas histórias e riquezas de detalhes. Foi um privilégio. Na época, não existia a internet e tínhamos que conversar com amigos, ler, buscar informações. Hoje, muito mais fácil, dada a comunicação cada vez mais instantânea, com acesso a todos, ficou ainda mais próxima a cultura dos povos de qualquer ponto do planeta. Muitas vezes, basta um clique e pronto, muitas novas possibilidades se abrem bem a sua frente. E ainda dá pra compartilhar!

Lembro que quando saí deste show com “músicos de todo o canto do mundo” tentei transmitir meu encantamento, explicando como era, que músicos eram aqueles, os diversos instrumentos… Difícil se fazer entender. Até porque quando os olhos não veem, os ouvidos não ouvem e a alma não sente, fica complicado repassar aquele conhecimento específico. Por isto, hoje, podemos compartilhar as coisas, para que muitos ouçam, vejam e sintam. Claro, nada como assistir um show ao vivo, andar pelo Louvre ou prestigiar in loco a beleza da Capela Sistina. Mas já é alguma coisa, concorda?

Vamos ao que me propus repassar.

A primeira música é uma arte que recebi de presente no dia dos pais. É tocada com um Kantele – instrumento de cordas da família das liras, que tem origem na Finlândia.

A segunda música é de Lhasa De Sela, americana que desde cedo aprendeu a ser nómada e a absorver a música de diferentes culturas. As canções de Lhasa, em inglês, francês ou espanhol, remetem tanto para a América Latina como para a vida cigana, para a cultura árabe, com timbres da música celta, árabe, judaica, flamenca, latina.

A terceira é do grupo Radio Tarifa, que traz de fundo a rica música espanhola (flamenco), aliada à africana, à árabe andalusi, à medieval e castelhana. Era formado por três músicos e, por vezes, contava com até oito componentes em apresentações ao vivo e ainda com um bailarino flamenco ou uma bailarina para dança oriental. Segundo seu site oficial, o Radio Tarifa encerrou gravações e apresentações em 2006.

Qualquer texto que cite a música do mundo deve fazer referência ao UAKTI. Vá ao Japão, percorra muitos países europeus e pergunte que grupo brasileiro é este UAKTI. Responderão! Vá até a esquina e faça a mesma pergunta… Esquece, tem gente que merece mesmo ficar com o que está acostumado a “escutation”!

KANTELE

LHASA DE SELA

RADIO TARIFA

UAKTI

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agosto 15, 2010 - Posted by | Uncategorized | , , , , ,

1 Comentário »

  1. Parece até marmelada comentar esse post, pois estou envolvida nele desde os tímpanos, até o coração. Mas o fato é que ele nos remete a uma verdade. Apesar de tudo, é preciso compartilhar. A música, como toda arte, é um grande exercício de alteridade. Ouvimos esses tons e compassos diferentes e podemos, quem sabe, apreciá-los. Alguns dirão: que estranha maneira de fazer música! Outros ficarão surpresos com o en-canto! De todo modo, seja uma menina nos seus exercícios de Kantele no Brasil, seja no Canadá, Andaluzia ou Japão, esses sons são capazes de mudar as ondas cerebrais e então, rimos à toa.
    Parabéns pela escrita e pelos sons!

    Comentário por cristinalmeida | agosto 15, 2010 | Responder


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